"Odeio as almas estreitas, sem bálsamo e
sem veneno, feitas sem nada de bondade e sem nada de maldade."
(Nietzsche)


quarta-feira, 25 de março de 2009

No covil da jararaca - Parte I



Eis que minha impaciência me obriga a desabafar sobre tão nobre assunto!
O grande Kafka argumentaria: "Todas as falhas humanas provêm da impaciência." Que seja!
Pareceria um blog de machos reclamões, caso não estivessem habituados ao meu humor negro...
Pois bem, minha sogra é uma jararaca!
Como tenho esse espaço gracioso e relevante para atormentar outras almas com minhas sandices, pergunto-me: Por que não abordar tal tema?
É fato consumado que ando mal-humorada, anti-social e estressada. [PRONTO, EU ASSUMO!] Mas perguntem-se o porquê da infâmia!
Ora, ora... é ela!
A priori deixarei claros alguns defeitos inerentes a essa reles Malvadinha:
1- Sou humanamente individualista, para tanto, odeio que cerquem meu espaço, minhas coisas, e PRINCIPALMENTE, que estiquem esse dedinho chamado indicador e se achem no direito de metê-lo nos assuntos que digam respeito somente, e sumariamente, a mim!
Ganivet sussurra à meia-voz: "A personalidade se acentua mediante o exercício."
2- Sou incapacitada de demonstrar sentimentos falsos. Em suma, odeio fazer caras e bocas para quem pouco me interessa. Se gosto percebe-se, se não...
Bem, hahaha... também é perceptível!
3- Fico indignada diante de injustiças. Tipo pessoas que nada fazem além de criticar o que os outros fizeram. Ou aquela pessoa que tenta infernizar a vida de alguém que deseja apenas conviver pacificamente.
Tácito murmura: "Quem se enfada pelas críticas, reconhece que as tenha merecido."
4- Necessito de um espaço reservado, onde eu possa ficar sozinha, surtar sozinha, chorar sozinha, onde ninguém mexa nas minhas coisas, onde tudo esteja como eu desejar.
Vero... sou realmente individualista!
5- Tenho uma tendência enorme a evitar brigas. Portanto, costumo ir juntando insultos... esperando o dia em que tal pessoa irá mudar... engolindo alguns desaforos... Tudo em nome da santa paz. Peraí... não sou um monge budista! Uma hora eu estouro. Aí mora o perigo... minha alma é estritamente vingativa!
Pois bem, acho que consegui situá-los quanto a minha personalidade "Foda-se quem me odeia!". Ora, mas "Só aos grandes homens cabe terem grandes defeitos.", minimizaria La Rochefoucauld.
Considerando os fatos supracitados... Estou em apuros!
É de conhecimento geral que estou namorando. Como meus leitores-amigos são espertos, perceberam que nossas personalidades são conflitantes.
O que ocorre quando dois malvados se apaixonam? Yeah! Ficam bonzinhos! [até que iniciam uma série de provocações mútuas!]. Como se já não bastasse isso, meu namorado Invocadão é também meu primo em 2° grau. [Essa é uma história meio demorada, volto a falar sobre isso em outro post...]. E se me faltavam problemas, ele tem uma mãe neurótica, ciumenta e maquiavélica.
Você deve estar pensando: P.Q.P.!
Em minha vida sogras nunca foram problemas. A primeira, apesar de pabulenta, me tratava muitíssimo bem. [até hoje acredita que voltarei a ser sua nora... Tsc!]. A segunda, entrou na minha vida como uma segunda mãe. E como ela mesma se denomina, é minha bruxa-madrinha. [com essa eu pude contar nos bons e maus momentos...] . Mas a terceira está sendo como uma das sete pragas do Egito! Êta mulherzinha intragável!
Conhecem a máxima: "Morar com sogra é fazer vestibular para o céu."? Eita... resume minha vida!
Eu tentei agradá-la, juro! E no início ela era um encanto. Bastou o namoro ser anunciado, começaram as farpinhas. Para tormento meu, preciso aturá-la!
Não posso negar minha essência malvada. Resolvi dividir com vocês tal escárnio porque Dona Encrenca passou dos limites.
É... ela tentou envenenar minha mãe contra mim. Chego a salivar só de pensar no desaforo. Não contente em infernizar meu namoro, ela resolve recorrer ao que considero mais sagrado: minha família. Prudente, Apostólio profetiza: "Muito ousar faz que se cometam muitos erros."
Pára tudoooooooooo!!!!!! Agora pisou forte no calo!
Tenho a sorte de possuir uma mãe astuta, que não engole qualquer conversinha. Em uma visita ela percebeu o ninho de cobras no qual me meti. Como não poderia ser diferente, a Sra Malvada avisou-me do ocorrido. Com toda a sua diplomacia, pediu-me para ignorar. Sem saber, ela apoiou-se em Gracian, quando ele diz: "Não há maior vingança do que o esquecimento."
Estou tentando, leitores-amigos. Estou tentando ignorar...
Tem sido difícil, por isso esse mau-humor constante... essa vontade de fazer nada... essas reações explosivas diante de fatos pueris. Simplesmente não consigo mais viver nesse covil.
Digam-me: Sai daí, Emy!
Respondo: Não posso! Quero ficar perto dele... preciso dele para ser feliz!
Jamais transferiria o mau-estar. Antes de tudo, ela é a mãe do Invocadão e tal fato me impede de desejar ou fazer qualquer mal. Acabo por aborrecer-me com ele facilmente. [Deve ser uma resposta inconsciente à passividade dele diante da situação.]
Na verdade, eu queria que ele entendesse o quanto isso me afeta. O quanto me esforço, mesmo que não dê a entender, para ficar junto dele. Não devo ser muito boa falando!
Tenho plena consciência dos meus defeitos, bem como de minhas qualidades. Por que alguém não aceitaria uma nora bonita, inteligente, educada, de boa família e futuro promissor? [Sem falsa modéstia, por favor!] Bernard Shaw, toma a frente e responde: "Um homem nunca te diz algo, até que você o contradiga."
O Invocadão a defende: ela só tem ciúmes de você! Defendo-me com Cervantes: "São sempre desatinadas as vinganças por ciúmes."
Um grande amigo sabiamente me disse: Você se considera tão pequena a ponto de enumerar defeitos pelos quais ela te rejeita? Então eu lhe digo que é bem feito! Mas se desejar sair dessa de mãos limpas e consciência tranquila, siga o conselho da Sra Malvada, mas não esqueça de praticar suas pequenas maldades. Citou-me então, Beaumarchais: "Sem liberdade de criticar, não existe elogio sincero."
Aquilo me doeu feito uma bofetada. Passei o dia todo a pensar no assunto, mais ranzinza do que de costume... distribuindo farpas aos demais. Eu preciso ter meu espaço... necessito ficar só. Decidi ter uma conversa téte-a-téte com ela e aproximei-me. Observei sua postura, sua expressão e o olhar. Entendi que esse é um jogo que se joga sem palavras. De nada adiantaria expor os fatos e argumentos. Ela não quer entender. Eu não vou desistir.
Elaborei a partir daí minha estratégia mirabolante. Deixarei-os sedentos de curiosidade... adianto que tomei por base Voltaire: "O segredo de aborrecer é dizer tudo". Digo-lhes, entretanto, que nem tudo é dito com palavras.

Um pouco mais aliviada,
Srta Emy.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Detalhes mudos



Novamente, inversamente proporcional a minha vontade de escrever: eu tento!

E quem diria que tentar fosse tão difícil?!
De acordo com Terêncio, "Nada é tão difícil que, à força de tentativas, não tenha resolução." Ouço Clapiers sussurrar que "Aquele que tudo pode suportar, tudo pode tentar."
Tenho absoluta certeza que não sou uma pessoa fácil. Ah não! Descrever-me complicada seria ir contra o que alguém, um dia, me ensinou. Segundo tal, eu sou complexa. Que seja!!
Eu odeio essa minha mania de analisar as coisas, as pessoas, as situações...
O fato é que sou teimosa.
Isso! E essa teimosia teima em não me abandonar.
Nietzsche proferiria a plenos pulmões: "Teimosia é firmeza de caráter adulterada pela estupidez." Beaman retrucaria que "A teimosia tem seu lado útil. Você sempre sabe o que estará pensando amanhã." Lavater participaria com "A teimosia é a força do fraco." Na verdade eu procuro acreditar em Gandhi quando, redundantemente sábio, ele diz: "As coisas que queremos e parecem impossíveis só podem ser conseguidas com uma teimosia pacífica."
Até hoje - e que isso fique bem claro - nunca deixei de tentar nada. Mas um dia eu já desisti de tentar... De que me valeram as tentativas, a insistência e todo esse blá blá blá?
Respondo: De pouca coisa além da consciência aliviada da culpa de não ter tentado.
Parece incrível que pequenos detalhes possam ser tão importantes. Aqueles detalhes que me faziam tão feliz e que agora se perderam entre a teimosia alheia e a minha própria.
Inconscientemente eu sempre paro nos detalhes. Talvez por ficar sempre me enganando ao achar que eles estão sempre lá, só eu que não os vejo!
Chega a ser cruel ser protagonista do mesmo filme. Ele vai se desenrolando diferente, mas a cena principal é a mesma.
Um dia eu desisti de falar. Doeu tanto em mim desistir... se não por ficar muda, por ter desistido de algo que eu queria. Consegui ficar muda por um bom tempo e até hoje não sei se foi bom ou ruim pra mim.
O que me levaria a desistir de falar???
Quando se desiste de um sonho, pode-se desistir de qualquer coisa por não ser possível sentir dor maior.
Vieram as curvas do destino e um vento sutil me possibilitou voltar a sonhar o mesmo sonho. Minha felicidade foi abafada pelo medo de perder pela segunda vez a oportunidade. Foi titubeada pela imensa responsabilidade que eu teria que assumir. Mas eu estava feliz... e isso é indescritível.
As mesmas curvas estão tentando roubar novamente meu sonho...
Apesar do medo de seguir sozinha, eu não quero desistir. A parte de mim que ficou viva da outra vez grita desesperadamente para que eu não a deixe morrer. O bom senso ecoa: "vai ser melhor assim".
O que fazer?
Estou tentando agoniantemente encontrar os detalhes. Os que me fazem sentir viva e forte e apoiada. Onde estão?
Ficaram mudos.
Por mais verdadeiras que sejam as minhas lágrimas, a minha fidelidade e o meu amor... de nada servem, não convencem!
Dessa vez não foi um vento que espalhou as folhas na minha vida. Foi um tufão. E quando tudo não poderia ficar mais difícil, torna-se um bilhete breve, desbotado e amassado. Dos que me dizem que a vida não depende só de mim. Dos que tentam ser descontraídos pra camuflar a tristeza. Dos que terminam sem ter dito nada e quando menos se espera. Dos que já rasgaram uma vez e eu teimei em consertar...
No meio do tufão eu grito: Não vou desistir!!!
Sozinha ou acompanhada... entre tempos e contratempos... triste ou feliz... apoiada ou contrariada... EU NÃO VOU DESISTIR DO MESMO SONHO POR DUAS VEZES!!!
E não é por ser teimosa... Não!
É por me saber forte!
As pessoas podem ir ou vir da minha vida e apesar de meio-morta eu vou suportar. Mas existe alguém que só pode vir se eu não desistir de tentar... e é por querer tanto esse alguém que vou continuar tentando.
Já disse Norman Peale: "O covarde nunca tenta, o fracassado nunca termina e o vencedor nunca desiste."
Por escolher ser forte,
Srta Emy.


P.S.: Minhas sinceras desculpas aos selos não publicados e aos memes não respondidos... assim que o tufão passar prometo lhes ser justa!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Sobre o medo e moscas

Txa...
Não consigo ficar muito longe daqui!
E quem diria que todos os meus planos seriam refeitos nos acréscimos do 2° tempo?
Quem diria que a malvada aqui tornaria a se apaixonar?
Ou, quem diria que recomeçar fosse inebriante pelas descobertas diárias e doloroso pelas cicatrizes carregadas.
A verdade é que na maioria das vezes eu sinto medo. E tenho medo de admitir o que sinto. Fico nesse comportamento autodestrutivo... esperando a hora em que vão tentar me enganar.
Bah!!!
Que é isso, Emy? Temendo? Fugindo novamente?
O pior é que essa é a verdade.
Essa minha mania consciente de fugir quando detecto perigo. Não querendo envolvimento. Dando meu jeito todo malvado de sumir do mundo.
Mas, para quê? Fugir de quem?
Evitar a felicidade com medo que ela acabe é o melhor meio de ser infeliz. [Ou o mais covarde!]
Lactanius profetizaria que "Onde o medo está presente, a sabedoria não consegue estar" .
Que bom que além de ser malvada, eu sou teimosa. Adoro contrariar. Odeio me sentir derrotada.
Segundo Twain, "Coragem é resistência ao medo, domínio do medo, e não ausência do medo." Então, esse medo há de passar!
Stevenson diria: "Guarde seus medos para você mesmo, mas partilhe sua inspiração com todos." Estou a tentar a partilha do medo e da inspiração nesse momento! Afinal, Ford já resmungou um dia que " Insucesso é apenas uma oportunidade para recomeçar de novo com mais inteligência".
Eu tenho traumas... mas onde já se viu um Malvado sem causa? Começo a aprender que não importa o que tiraram de mim, e sim o que eu vou fazer com o que sobrou.
Eu tive coragem de dividir o que sinto com Ele [O Invocadão] . Talvez porque o abraço que recebo a cada declaração me passa a sensação de segurança. De que não estou mais sozinha... que eu posso confiar novamente.
A cada dia me entrego um pouco mais. Sim, isso é perigoso... bem como reconfortante. [Ok, tudo certo até aqui!]. Putz!!! Sempre tem uma mosca rondando nossa comida... E quando essa mosca ultrapassa os limites do tolerável? [P.Q.P!] Meu medo se torna raiva e minha raiva vira maldade.

Conheci desprazerosamente uma mosca atrevida que insistiu pacas para provar do Invocadão. A priori era bonitinha e todos os "zinhas" que são possíveis. Tipinho "umazinha" que te causa náuseas. [Pisando nos meus calos!]
Ok, honey! Cobiçar é humano... mas vamos com calma! Propositalmente xavecar meu namorado sob minhas vistas? [Hehehe... isso não dá certo!]. Algumas investidas e a Malvada aqui ainda fria. Algumas encaradas demarcando território e a mosca continua zuando. Uma Malvada jamais desce do salto por causa de uma "zinha", no entanto nunca deixa barato. Não fui tão malvada... isso me dá raiva até agora! A cada patada que recebia dele a mosca voltava mais serelepe... e a Malvada tomava mais uma cerveja. Seis cervejas não foram suficientes para aplacar a maldade que borbulhava dentro de mim. Prendi o Invocadão onde antes eu estava presa e impossibilitada de uma aproximação. Let's go, girl!

Eram 4 zinhas contra uma Malvada e sua cerveja. Coloquei-me bem do lado delas... com aquele meu olhar de "encosta um pouquinho mais que eu quero ver essa sua coragem!" Mas as "zinhas-acompanhantes" resolveram fazer o papel de coleguinhas da Malvada [e até puxaram conversa!]. A mosca abandonada perdeu as asas e encolheu-se. A Malvada respirou fundo umas 5 vezes e pensou: Se eu te pego!!!! [Hahaha...]
Eu deveria ter sido malvada...
Tudo bem, algo me diz que outras oportunidades virão e eu adoro derramar a maldade quando ela está arraigada.
Meu problema está em transferir a raiva. O Invocadão sentiu o gostinho do meu cinismo inflamado. Não me perguntem o porquê, nem como... transferi a raiva para ele e com ela toda minha provocação. Talvez por ter confidenciado tantas coisas em tão pouco tempo, ou por sentir algo nunca antes experimentado com outra pessoa. Freud não explica, mas profere que "Nenhum ser humamo é capaz de esconder um segredo. Se a boca se cala, falam as pontas dos dedos". O Invocadão percebe minha intenção mesmo quando visto meu disfarce.
Parafraseando Lao-Tsé: "Ser profundamente amado por alguém dá-nos força. Amar alguém profundamente dá-nos coragem!"
Declaradamente apaixonada,
Srta Emy.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Sinto...

Há dias venho tentando postar alguma coisa decente aqui...
Enfim, vale qualquer coisa!
Queria explicar como me sinto, de verdade...
Posso dizer que dificilmente me sinto assim.
Já faz tempo que alguém consegue me trazer paz. Que eu consigo me sentir apoiada. Que sinto falta do calor de um abraço, da maciez de um beijo, daquela perna enroscada na minha.
Há tempos eu não cogito a possibilidade de um relacionamento sério, que não me imagino ao lado de alguém daqui a algum tempo.
Incrível como o destino nos cerca e implacavelmente nos envolve em suas teias. Nos momentos em que fazemos escolhas decisivas para nossa vida, o universo conspira em direção oposta. Você decide que se basta, ele outorga sua dependência.
Machado de Assis, muito dono das palavras dizia que "A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito." Politicamente, discordo dele. O tolo que diz ter apagado algo da sua vida, além de tolo é mentiroso. Não existe uma borracha-racional que consiga apagar tudo aquilo que, não mais, desejamos lembrar.
Shakespeare, tentava racionalizar: "O destino é o que baralha as cartas, mas nós somos os que jogamos." Me deixo levar por esse jogo intrigante, afinal, como diria o mestre Pessoa: "Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão."
Sim, Voltaire, "Aproximo-me suavemente do momento em que os filósofos e os imbecis têm o mesmo destino." Não era você mesmo quem dizia que "Paixão é uma infinidade de ilusões que serve de analgésico para a alma. " Que, "As paixões são como ventanias que enfurnam as velas dos navios, fazendo-os navegar; outras vezes podem fazê-los naufragar, mas se não fossem elas, não haveriam viagens nem aventuras nem novas descobertas."?
Eu quero navegar no escuro, mas como diria Victor Hugo, "O que é preto talvez não seja escuro."
Sim, eu sinto! E como é bom poder sentir!!!
Não é por conseguir ser malvada que me abstenho de sentimentalidades. É por ser mulher, e sentir o sangue quente pulsando em minhas veias, que deixo um verdadeiro tufão varrer minha racionalidade.
Aristóteles me mandaria doutrinar minhas paixões, enquanto Cronnolly me diria que "Quem domina suas paixões é escravo da razão".
Quando iniciei minha fuga meio desesperada em busca do controle das minhas emoções, tropecei numa pedrinha minúscula. Foi na sensação de desmoronamento que senti apoio: eram ombros fortes, mãos carinhosas e um sorriso estonteante.
Eu já tinha encontrado alguém, em quem confio... que mexeu comigo... que me entende. Mas, esse alguém nunca me deixava sentir. Pragmatismo é sempre bom, mas eu queria reciprocidade além de tudo isso! Bersani, traduz melhor do que eu: "Se a vida nos separa, o destino nos encontra."
Agora eu quero sentir toda essa reciprocidade descoberta!
Se eu puder sentir esse beijo macio todos os dias, eu serei feliz.
Se acordar com o mesmo beijo me desejando bom dia, começarei bem o dia.
Se me aquecer nesse abraço apertado e sorrir com as bobagens sussurradas ao pé do ouvido... ainda mais.
Se dormir com a perna enroscada na dele, sentindo sua respiração ofegante a me arrepiar... vou continuar a dormir tarde! [Risos]
Como diria o Gana: Pá, Malvadinha... estás apaixonada!
Bem, não consigo definir... Sei que, essa mão apertando minha nuca e essa sensação de dedos enroscados nos meus cabelos... me entontece.
Todos já sabem que eu adoro os canalhas... mas é sempre pelos mocinhos que me apaixono. E quando encontro um canalha em evolução para o estado mocinho, que além da beleza e manha felina, possui uma personalidade discrepante da minha e todos aqueles detalhes que deixam qualquer mulher embasbacada? [Pensando...]
É, o amor tem as suas razões, que a lógica não compreende, como o destino tem as suas ironias que a razão não explica.
Recorro uma vez mais a Nietzsche: "Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura."
Com toda sentimentalidade que pede o momento...
Dele, e agora dele,
Srta Emy.

sábado, 15 de novembro de 2008

Caiu!

Sabe quando sua paciência esgota?
Sabe quando não se aguenta mais só ficar ouvindo alguém, que não tem nada com sua vida, badalando no seu ouvido?
Parentes que se acham família... ARGT! Minha família é composta por meus pais e os dois irmãos que me deram! Só e somente, só!
Mentiras???
É... eu tive que suportá-las!!!
Não sei de onde tirei coragem, fôlego, paciência, sangue frio.
[Respirando 50 vezes antes de continuar...]
Fiquei muito tempo da minha vida só ouvindo.
Deixei as pessoas falarem o que elas queriam sobre mim.
Mas, a gota d'água caiu!!!
Não consegui só ouvir... não!!!
Eu falei tudo que tava engasgado.
Respondi aos gritos, primeiramente, com sensatez.
E, por acaso, desequilibrados entendem quando a outra pessoa está tentando não partir para a baixaria?
Ah não... vem pisar nos meus calos, não!
Nem venham me dizer que o arrependimento da cobra vil e invejosa vai chegar...
Ela é vã... eu não preciso ser.
Inveja, essa é boa!
Cícero já dizia que "A inveja é a amargura que se sofre por causa da felicidade alheia". Eu adoro Marmontel por pensar como eu : "A competição é a paixão das almas nobres; a inveja, o suplício das almas vis."
Pessoas invejosas são capazes de fazer qualquer coisa para derrubar você.
O que dói é o arrependimento de ter ficado calada esse tempo todo...
Deixei de ser eu para conviver bem. No fim? Sou ruim e mentirosa! PODE???
Sou do tipo de esconder minhas doenças, meus problemas, minhas carências...
Daquelas que não sabem pedir nada, só porque acham que cada um já dá o máximo que pode.
Das que procuram não se meter na vida alheia por detestar que se metam na sua.
De mover mundos e fundos para ajudar um amigo, só porque gosta de ver novamente aquele velho sorriso.
De abrir mão daquela resenha de sábado com a sua turma, só para não se aborrecer no outro dia com piadas.
Do que me serve ser assim??? Respondo: De nada!
Ora, não sou santa coisa nenhuma... nem quero! Bah...
A Caixa de Pandora foi aberta bem na minha frente... vou lá esconder defeitos!
Eu peco e muito... eu minto algumas vezes... e nem sempre uma mentira boa, mas em maioria, mentiras que me poupam do mau-humor. Não minto para qualquer pessoa, nem por qualquer coisa. E a omissão não é também uma mentira, Canalha? [Ele tem razão!]
Está aí o castigo por me omitir esse tempo todo.
Aguenta Idiota... agora aguenta!
Os chineses que me perdoem, mas esse negócio de que "A palavra é prata, o silêncio é ouro" é balela! Fale... se não lhe derem ouvidos, GRITE!
Certo está Molière ao dizer que "Um tolo que não diz palavra não se distingue de um sábio que se cala." E ainda mais quando solta o : “Não somos responsáveis apenas pelo que fazemos, mas também pelo que deixamos de fazer”.
Vou ser burra para todo o sempre, mas uma burra falante!
É Breton... "Uma palavra e tudo está salvo. Uma palavra e tudo está perdido".
Faço o quê??? Vou-me embora pra Pasárgada?
Sensação de estar sozinha no deserto... Será que é por realmente estar???
Bem, isso aqui vai ficar abandonado... moscas tomando conta...
Como diria Ward, “O pessimista se queixa do vento. O otimista espera que ele mude. O realista ajusta as velas”.

De mais ninguém...
Srta Emy.

sábado, 8 de novembro de 2008

Morra!

Por que as pessoas acham que podem ser quem elas bem entendem?
Por que elas acham que sempre podem esnobar?
Por que não se demonstra o que verdadeiramente se sente?
Por que iludir, se não se quer reticências?
Por que falar por falar, quando nem se quer ouvir?
Por que perco o meu tempo com tudo isso?
Por que não mando pra P.Q.P e pronto?
Por que não convido aquele gato que me dá o maior mole pra sair?
Por que não tenho aquela noite intensa com aquele que me dá tesão?
Por que não me despir de mim mesma e ser quem desejo?
Por que não páro de besteira e aproveito a vida?
Por que sempre tenho que cumprir protocolos?
Por que não invento de sumir e consigo essa proeza?
Por que não confundo minha cama com uma teia?
Por que não me enrosco nos lençóis e penso no que amo?
Por que preciso viver de traços rabiscados?
Por que tenho que sorrir risos mal dados?
Quer saber? Eu cansei...
Cansei de tentar agradar sem sucesso.
Cansei de dar tudo sem ter nada em troca.
Cansei de tentar sozinha.
Cansei de viver sua vida.
Cansei de chorar escondida.
Cansei de correr na sua trilha.
Cansei de viajar tão longe.
É... eu cansei...
Agora eu voltei a ser a malvada temida.
Eu vou sujar sua vida.
Vou derrubar os obstáculos que me rodeiam.
E desacatar as ordens alheias.
Remarcar todos os compromissos desfeitos.
Suavizar meu corpo em algum leito.
Sim, eu vou!
Mas, como?
Da mesma forma que o céu expulsa as nuvens.
Como a lua esconde o sol.
Da mesma forma que eu fico parada no tempo por horas a fio.
Do mesmo jeito que rejeito meu passado presenteando-me.
Issoooooo.......... tou cansadaaaaaaaaa!!!!!!!
Que me façam de boneca.
Que me tratem por criança.
Que me ponham de lado.
Que tentem me ludibriar.
Que consigam me acalmar.
Que me façam adiar meus planos.
Não! Agora parou!
Eu vou ser quem realmente sou...
E que venham malvadas e inconsequentes.
E que me falte senso e tática.
E que eu derrube tudo que se postar à frente.
Vou entorpecer o menino frágil.
Vou bebericar do cálice derramado.
Chega... de dissimular o que é óbvio.
De demarcar território alheio.
Manipular meu desejo proibido.
Assim... eu sigo sem medo, sem cobranças... sorrindo, satisfeita.
Espero, que não tenha sido em vão...
Meu ódio aclamado.
Meu repúdio escrachado.
Meu sorriso abafado.
Minha lágrima teimosa.
O balanço do samba encorpado.
A mímica do tango rebuscado.
A face por mim inebriada.
Agora, o que fazer???
Que morra você, ele, o outro, o quase, o pouco...
Que matem o gozo não sentido e abafado...
Que chorem pelo que eu não consigo sentir....
Que chamem a quem eu não conseguir...
Enfim... morra!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Aos meus colegas farmacêuticos


Eu poderia descrever pessoas, objetos e situações com extrema imparcialidade, se assim desejasse. Mas, agora que tento descrever como me sinto em relação aos colegas que, junto comigo, trilharam esses quase cinco anos de faculdade... as palavras se escondem!
Como ser imparcial ao relembrar os rostos daqueles calouros assustados? Com ânsia de conhecimento... com sede de novas amizades... com o coração repleto de sonhos.
Lembro, que a minha primeira impressão foi a de ter rumado na direção certa. Sabia que em meu destino deveriam aparecer pessoas como aquelas. Era um mundo novo, repleto de contrastes e de opiniões discrepantes. Mas, pouco a pouco, cada uma daquelas pessoas me cativou de forma ímpar. Aprendi a vê-las de outra forma... a admirá-las por mais irrelevantes que parecessem suas qualidades. Eu aprendi a torná-las, diferentemente entre si, parte da minha vida.
Poderia detalhar inúmeras reuniões de estudo, onde as químicas nos faziam perder o cabelo, onde a farmacologia nos fazia suar as mãos de nervosismo, onde as histórias fantásticas contadas nos faziam gargalhar. Em muitas outras, ao invés de estudar, discutíamos filosoficamente sobre relacionamentos ou sobre a profundidade da vida. Descrever as bebedeiras e porres homéricos já presenciados, as farras e mais farras onde nos esbaldamos. Eu, escrevo por outro motivo.
Nesse final de semana, peguei-me a contemplar a turma toda reunida. Todos posando para fotos, sorridentes, orgulhosos e sim, FELIZES. Foi nas lágrimas emocionadas de um desses companheiros, que meu coração parou para absorver cada detalhe daqueles momentos. Tive a impressão de que todos ali viram passar o velho filme, desde o início até a última foto... com direito a cada queda e a cada grão de poeira sacudido ao levantar.
Hoje, observei atentamente cada foto. O que fica nas fotografias? Somente imagens? Não! Os laços invisíveis que nos envolviam também ficam. As cores, as figuras, os sorrisos... a luz do sol passando sobre os nossos amigos e, até mesmo, o afeto por muitos desconhecido. Fica todo esse sentimento que o final se aproxima e essa etapa vai deixar saudades. Fica a vontade de, mesmo querendo se formar o quanto antes, retardar a quebra desse vínculo. Só para poder aproveitar um pouco mais do que passou despercebido até aí. Só para tratar aquela pessoa de outra forma. Só para que, algum tempo depois, possam apontar para a sua imagem e esboçar um sorriso terno... e sentir falta... e sentir que você também fez parte daquela conquista.

A Farmácia não é uma profissão fácil. Não é um curso qualquer. Não é para um quaquer. O farmacêutico é antes de tudo um forte. Mesmo quando é apontado como um mero balconista. Mesmo quando a equipe hospitalar não o valoriza. Mesmo quando a sociedade o desconhece por trás do exame diagnóstico, da pílula diária, da loção corporal. Manipulando a razão e a emoção para obter a cura, administrando a vida. Ele está sempre ali, disponibilizando seu conhecimento e trabalho. Cometendo o erro de não cobrar o devido valor da sua profissão.
E com toda a dificuldade de ser farmacêutico, aqui estamos. Por motivos diferentes, com estratégias diferentes, partindo para rumos diferentes... esperando que a entrega, a satisfação e a essência não sejam diferentes. Como diria Quintana, "Sonhar é acordar-se para dentro."
Eu gostaria de abraçar afetuosamente cada um dos meus colegas agora... e fazê-los perceber que nada nesses anos foi em vão.
Eu gostaria de dizer "muito obrigada" a todos, por me proporcionarem evolução profissional e pessoal, independentemente do momento em que isso ocorreu.
Eu gostaria de segurar a mão de cada e dizer que esse laço não precisa ser desfeito.
Eu gostaria de sentir tudo isso de novo, só para ter certeza que não perdi nenhum detalhe.
Se perguntem: Por que não o fiz???
Eu tentei dizer e fazer... as palavras engasgaram e eu segurei minhas lágrimas. Não por vaidade ou orgulho. Achei mais importante deixar tudo isso no meu sorriso, mesmo que eu não saísse bem nas fotos... pois era o meu sorriso que demonstrava o quanto eu estava nostálgica, emocionada e agradecida. No meu sorriso eu tentei passar o quanto eu gostaria de apertar esse laço e deixá-lo me envolver pra sempre.
Não seria justo se eu não escrevesse esse turbilhão de emoção que sacode meu peito.
Por aqui eu retribuo cada abraço que me foi dado, cada beijo desprendido, cada sorriso retribuído.
Por aqui eu digo o quão importante vocês foram para que eu me tornasse o que sou hoje.
Por aqui eu peço que revejam as fotos e tentem observar além da imagem.
Não posso deixar para dizer isso no dia da formatura, porque eu poderia não dizer da mesma forma, não descrever tão bem ou não ser fiel e me acovardar.
Segundo Voltaire, "Uma coleção de pensamentos deve ser uma farmácia moral onde se encontram remédios para todos os males". Em meio a todas as fotos, façamos uma coleção de pensamentos para que entendamos o real sentido do momento.
Como em juramento diremos:
"E espero a graça divina do amparo, para que eu saiba cumprir com dignidade a minha profissão."
Aos formandos de Farmácia 2009.1 da UFRN, meu mais terno abraço e mais envolvente sorriso.